Valor
Econômico - SP, Maria Cândida Vieira
As empresas brasileiras que investem
em responsabilidade social terão incentivos e isenções
fiscais superiores a R$ 1,1 bilhão este ano,
de acordo com dados da Secretaria da Receita Federal
(SRF), valor muito próximo ao da proposta de
orçamento de Campo Grande, capital do Mato Grosso
do Sul, para 2008.
Embora esses recursos representem
apenas 1,09% do total de R$ 52,7 bilhões de desonerações
previstas para 2007 e de 0,048% do Produto Interno
Bruto (PIB) brasileiro, os benefícios geram
discussões porque envolvem imagem e marca de
grandes corporações que realizam ações
sociais.
Esses incentivos e isenções fiscais para
as empresas são basicamente deduções
do Imposto de Renda (IR) para as áreas de cultura
como artes cênicas, literatura, música
e outras, previstas na Lei Rouanet; obras audiovisuais
independentes, estabelecidas na Lei do Audiovisual;
Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente;
doações para entidades sem fins lucrativos
e doações para institutos de ensino e
pesquisa.
"Incentivos e isenções fiscais provocam
polêmica porque os recursos são públicos
e precisam ter caráter distributivo para chegar
efetivamente aos que mais precisam", afirma Anna
Maria Peliano, diretora de estudos sociais do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que coordenou
a pesquisa "A iniciativa privada e o espírito
público: a evolução da ação
social das empresas privadas no Brasil", que teve
sua segunda edição publicada em julho
de 2006.
Para as empresas que podem utilizar
esses benefícios,
há dois mecanismos de estímulo na área
cultural: a Lei 8.313/91, chamada de Lei Rouanet, e
a Lei nº 8.685/93, mais conhecida como Lei do
Audiovisual, resume Pannunzio. Pela primeira, é possível
abater integralmente o valor das doações
feitas ao Fundo Nacional da Cultura (FNC) até o
limite de 4% do Imposto de Renda devido. Com a Lei
do Audiovisual, voltada para as obras cinematográficas
brasileiras de produção independente,
o abatimento não pode superar 4% do IR devido
nos patrocínios, enquanto na hipótese
de investimentos, o valor poderá ser integralmente
abatido como despesa operacional, até o limite
de 3% do IR a pagar.
Atuando no mercado internacional,
a Petrobras, oitava empresa mais respeitada pela
avaliação
do Reputation Institute e classificada no nível
A+ da Global Reporting Initiative (GRI), categoria
com balanços sociais e ambientais auditados
por empresas externas e independentes, investiu R$
591 milhões em projetos sociais, ambientais,
culturais e esportivos em 2006, aumento de 14,5% na
relação ao ano anterior. Desse total,
R$ 253 milhões (44,6%) são oriundos de
incentivos fiscais.
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